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Livros do Desalento - Inimigos Grimório

I: Predadores

I: Predadores 5

Versículo 1:1 – Predadores

Predadores e ameaças.
Entalhado para durar, por Xi Ro.
Terceira das irmãs sobreviventes da última cria do Rei Ósmico.

TEMPESTENTE. Uma tempestente é uma nuvem viva. Quando passa sobre o nosso continente, ela faz seus tentáculos alimentares descerem. Em cada tentáculo há uma ESTRELA ISCA. Apesar da luz fazer você feliz, você deve evitá-la, ou vai virar comida.

Uma tempestente é uma boa maneira para uma pessoa velha escolher a morte. Além disso, um cavaleiro ousado pode cortar as estrelas isca dos tentáculos. Eu tenho seis!

QUEDA. Se você cair da beira do continente, você morrerá no oceano! Isso é um perigo, principalmente quando o nosso pai, o Rei Ósmico, utiliza os motores.

BEBEDORES DE HÉLIO. As correntes do Oceano do Fundamento nos levam para perto de outros continentes. A Corte do Hélio está próxima agora. Eles são da mesma espécie que nós, mas são nossos inimigos. Os cavaleiros deles nos atacam todo dia. Bebedores de Hélio têm duas pernas, dois braços e três olhos, assim como nós, mas eles são espertos e perversos. Eu quero me tornar uma cavaleira e lutar contra eles!

O embaixador dos Bebedores de Hélio comeu dez das minhas irmãs como tributo. Isso é normal, mas eu guardo rancor.

MÃES. Mães podem voar! Elas vivem muito mais do que dez anos. Mães são extremamente inteligentes, e elas protegem suas crias. Se você tentar mexer com os ovos delas, elas podem te comer. A Sathona quer comer a geleia e se tornar uma mãe quando ela fizer quatro anos.

TEMPESTADES. A chuva muitas vezes é tóxica. Algumas vezes até dissolve a carne. Quando um relâmpago atinge fora da fazenda de relâmpagos, pode vaporizar uma pessoa.

Este mundo inteiro é letal para nós.

MISTÉRIOS. O Fundamento é enorme. Nós somos as menores coisas nele. Se você não compreende algo, esse algo provavelmente irá lhe matar. Minha professora, Taox, diz que é por isso que temos vidas tão curtas – para que possamos procriar e nos adaptar rapidamente.

ONDAS LUNARES. Minha irmã, Aurash, tem medo das ondas lunares. Quando ela voltar da expedição aos Monólitos Tungstênicos, eu perguntarei a ela o porquê.

II: O versículo odioso

II: O versículo odioso 5

Versículo 1:2 — O versículo odioso

Para a consideração da Corte do Hélio.
Escrito em desespero.
Este segredo selado,

Meu nome é Toax, mãe estéril, professora das filhas do Trono Ósmico.

Por ser uma mãe, eu tenho vida longa. Por ser estéril, posso colocar-me acima das pequenas batalhas das políticas de corte.

Eu, sozinha, vejo os padrões de sobrevivência. Sozinha, projetei os grandes motores que movem a Corte Ósmica.

Agora, sozinha, preciso agir para salvar o meu reino.

A senilidade está afetando o meu senhor, o Rei Ósmico. Ele está com dez anos, e louco. O estudo de textos antigos o consome. Hoje ele delira falando sobre luas acima da tempestade. Amanhã ele vagará pelos corredores, conversando com o hóspede dele, um verme morto e branco vindo do fundo do mar. Ele o mantém em um vidro, tomando conta dele e negligenciando os seus deveres de rei.

O Rei Ósmico possui três herdeiras sobreviventes, cada uma com dois anos de idade:

Xi Ro, a mais nova e corajosa, que quer tornar-se uma cavaleira.

Sathona, a mais inteligente, que quer se tornar uma mãe.

Aurash, criança navegadora, que sonha com o oceano infinito. Amanhã ela irá retornar dos Monólitos Tungstênicos.

Nenhuma delas á uma herdeira adequada. Nenhuma delas irá proteger a Corte Ósmica do Fundamento uivante. Xi Ro sabe lutar, mas não sabe liderar. Sathona sabe pensar, mas não sabe lutar. A curiosidade da Aurash irá afastá-la dos deveres. Me preocupo com todas as crianças do futuro.

Em breve, o Rei Ósmico irá se trancar no Planetário Real para estudar as luas. Reúnam seus cavaleiros, ó Bebedores de Hélio, e invadam o nosso continente. Matem as três herdeiras. Eu governarei a Corte Ósmica como sua regente, e construirei motores para vocês.

Se eu falhar, deixe que o Leviatã do fundo do mar me coma.

Escrito sob aflição.
Este pedido odioso,
Taox, Mãe Ósmica, esterilizada para assistir.

III: O juramento

III: O juramento 5

Versículo 1:3 — O juramento

Irmãs! É assim que um juramento é feito. Coloque a sua mão esquerda no mastro, perto da minha.

Tome a faca em sua mão direita. Enfie-a em sua mão esquerda, bem entre os ossos. Agora! Entalhe uma linha de sangue mastro a baixo.

Pronuncie seu juramento.

— Eu sou Xi Ro, filha mais nova do rei morto. Eu irei tomar a minha Corte Ósmica de volta, e matar a traidora Taox. Por meu olho esquerdo, eu juro vingança.

Em sangue, o juramento é feito.

— Eu sou Sathona, filha do meio do rei morto. Eu tomarei minha casa de volta, e comerei a geleia maternal. Eu darei cria sobre o corpo do Rei do Hélio. Por meu olho direito, eu prometo isso.

Em sangue, o juramento é feito.

Agora...

— Eu lhe ajudarei com o seu juramento, irmã.

— Eu também ajudarei.

Eu sou Aurash, primeira filha do rei morto. Eu seguirei o último aviso gritado por meu pai. Descobrirei o que mudou o movimento das nossas luas. Se o fim do mundo estiver próximo, irei compreender o porquê.

Pelo meu olho direito, eu juro. Eu irei compreender.

— Em sangue, o juramento é feito.

— Em sangue.

Obrigada, irmãs. Somente o meu navio nos resta, mas um navio significa liberdade! Nós temos segredos para caçar, reinos iluminados por trovões para explorar e grandes exércitos para formar.

Ergam as velas velozes, e nós viajaremos longe.

IV: Sizígia

IV: Sizígia 5

Versículo 1:4 – Sízigia

A Sizígia.
Entalhado para durar, por Aurash.
A grande vingança.

Somente as estrelas iscas da Xi Ro nos permitiram escapar. Somente os truques da Sathona nos permitiram chegar à costa. No entanto, agora que nós temos o meu navio, eu devo guiar o nosso caminho. Eu sou a navegadora.

Pode ser que nunca vejamos nossos lares novamente. Xi Ro fervilha de fúria e ódio por Taox.

Porém, o meu maior medo é o seguinte:

Nossa civilização está à deriva no Fundamento. Nos Monólitos de Tungstênio, eu aprendi que milhares de outras espécies estão à deriva conosco, coexistindo em um vasto oceano. E as marés do Fundamento movem todos nós.

A Verdade Tímida diz que nós somos as menores e mais frágeis das coisas vivas. A presa natural do universo. Taox queria que acreditássemos que nossos ancestrais vieram ao Fundamento para se esconderem do vácuo faminto.

Meu pai morreu com medo. Não da perversa Taox, ou dos Bebedores de Hélio, mas de seu planetário. Ele gritou para mim:

— Aurash, minha primeira filha! As luas parecem diferentes! As leis foram torcidas! – e então ele fez o sinal da sizígia.

Imagine as cinquenta e duas luas do Fundamento alinhando-se no céu. (Não seria preciso as cinquenta e duas, é claro. Só algumas das mais massivas. Mas este é o meu medo mais profundo.) Imagine a gravidade delas puxando o oceano do Fundamento, erguendo-o como uma protuberância inchada...

Imagine aquela protuberância desabando com o passar da sizígia. Uma onda grande o bastante para engolir civilizações. Uma onda-deus.

Preciso encontrar uma maneira de deter isso, antes que a onda-deus aniquile a minha espécie. Se ao menos eu pudesse voltar ao planetário do meu pai, eu poderia aprender exatamente quando!

Nós estamos a semanas de viagem e muitos continentes de distância de casa.

Quando eu estou paralisada pelo medo, Xi Ro se senta comigo na cabine e me conforta com palavras suaves e corajosas. No entanto, temos dependido da perspicácia da Sathona cada vez mais. Ela sai para ficar sozinha (ela insiste que precisa ficar sozinha) e então retorna com uma ideia louca: manobrar em direção à tempestade; lançar uma rede; comer aquela besta estranha; explorar aquele naufrágio sinistro.

De alguma maneira, a Sathona parece fabricar boa sorte a partir da pura vontade.

V: Agulha e Verme

V: Agulha e Verme 5

Versículo 1:5 — Agulha e Verme

Meus segredos.
Entalhado em meu código, por Sathona.
A vingança do olho direito.

1. Este ano de viagens selvagens, estas noites relampejantes e dias dourados, estas explorações de naufrágios antigos e fugas de monstros carregadas pelo vento: estes são os momentos mais felizes da minha vida.

2. Eu não quero ser mãe porque quero dar cria, mas sim porque quero uma vida longa; longa o bastante para fazer alguma diferença. Nós estamos navegando há um ano, e eu tenho medo. Temo que morreremos aqui.

3. Eu sei onde encontrar segredos. Sei onde vivem coisas grandes, lentas e com longas memórias.

4. A embarcação agulha...

A embarcação agulha.
Entalhado em meu código, por Sathona.
Uma mentirosa.

1. Nós resgatamos a agulha do Turbilhão Shvubi. Eu sabia que estaria lá.

2. A agulha é uma embarcação cinza, longa e esguia como a esperança, indestrutível como o tempo e, antiga. Mais antiga do que a morte. Ela atravessou o turbilhão fora de controle antes dos nossos ancestrais colidirem no Fundamento. Esta não é uma embarcação marítima, como a da Aurash. É um artefato de alta tecnologia.

3. Eu sei qual é o seu propósito. Sei o que aconteceu com a tripulação.

4. Xi Ro quer vender a embarcação no Atol de Kaharn, onde diferentes espécies se reúnem. Se leiloada, nos traria riqueza o bastante para contratarmos mercenários. Poderíamos retomar a nossa Corte Ósmica e mandar os Bebedores de Hélio – aqueles comedores de bebês – berrando de volta ao oceano...

5. ...mas eu disse à Xi Ro que a embarcação não tinha valor.

6. A Aurash quer abrir a embarcação e ver se conseguimos tomar o controle dela. Eu sei que isso é a coisa certa a fazer. Sei porque eu perguntei ao verme...

O verme.
Entalhado em meu código, por Sathona.
Que deveria estar com medo.

1. Ele era o hóspede do meu pai. Eu o arranquei dele enquanto fugíamos. É uma coisa morta, branca, segmentada, vinda do fundo do mar.

2. Está morto, mas ainda fala comigo. Ele diz: escute com atenção, ó vingança minha...

VI: Irmãs

VI: Irmãs 5

Versículo 1:6 — Irmãs

Um registro de símbolos e gestos trocados antes do fim da irmandade.

— Xi Ro, minha corajosa irmã, você tem trabalhado duro demais para mover as carcaças para fora da sala de parto! Venha. Conduza a embarcação um pouco. Aprecie o que a nossa agulha pode fazer.

Xi Ro tentou reclamar, mas no fundo, ela estava feliz pela atenção da Aurash. Ela conduziu a embarcação em círculos, descendo ao fundo do mar. Seu rastro subiu até a superfície como o suspiro final de um traidor.

— Aurash, navegadora solitária, nós viajamos tanto, só nós três. Eu sei que você adora escutar e falar novas línguas. Venha, sente-se no salão do jardim da carne. Eu vou ler pra você estas histórias que comprei em Kaharn.

Aurash sentou-se entre os leques de carne mumificada com dois dos seus olhos fechados e ouviu as histórias da Sathona em silêncio, com uma sede por compreensão insaciável para aprender todo o possível antes que sua vida de dez anos acabasse.

Mais tarde, Xi Ro disse:

— Sathona, nossa querida astuta, você parece cada vez mais solitária em seus pensamentos. Brinque de espadas e lampiões comigo!

Mas a Sathona estava sentindo um pesar enorme, e não conseguia fingir estar se divertindo enquanto corria atrás da Xi Ro pelos corredores cintilantes da agulha.

— Sathona, minha irmã pensativa, o que foi? O que lhe preocupa?

Suas irmãs escutaram quando Sathona disse:

— Irmãs, nós estamos com cinco anos de idade. Por dois anos, temos trabalhado para reparar esta embarcação antiga e compreender seus sistemas. Eu estou quase velha demais para a geleia maternal, e os cavaleiros que mataram o nosso pai devem estar morrendo de velhice. Nós três vamos morrer aqui, em exilo. Taox viverá mais do que nós. E Aurash, Aurash dos olhos brilhantes, você irá morrer de velhice muito antes de encontrar provas sobre sua onda-deus, ou qualquer maneira de detê-la. Aurash e Xi Ro olharam uma para a outra.

— Gostaria que não fosse tão honesta — Xi Ro disse. E Aurash pensou que Sathona nunca havia estado errada.

No fundo de sua alma, Aurash sabia que a única maneira delas manterem o juramento seria encontrando um grande, poderoso segredo. Um segredo que pudesse mudar tudo. Esta era a alma de Aurash, o fogo e a sombra dela, o desejo de penetrar o flanco do mundo e encontrar o seu coração batendo.

— Nós temos que mergulhar — disse Aurash — É pra isso que esta nave foi construída. Mergulhar no Fundamento, o mundo abaixo de nós... em direção ao núcleo.

— Foi lá que a antiga tripulação morreu tão obscenamente — Xi Ro protestou. — Foi lá que a atrocidade no salão de parto nasceu...

— Nós temos que mergulhar — Sathona disse, seguindo os sussurros de seu hóspede. — No mundo abaixo de nós, nas profundezas metálicas, eu espero que possamos encontrar aquilo de que mais precisamos...

Mais tempo. Mais vida.

VII: O mergulho

VII: O mergulho 5

Versículo 1:7 — O mergulho

Pela vida, Sathona mergulhou. Por vingança, Xi Ro mergulhou. E Aurash mergulhou para compreender.

A embarcação agulha penetrou a crosta do mundo e escavou fundo através de camadas de espuma, metal e lodo elementar gelado. Aurash analisou minuciosamente os mapas do Fundamento presentes na embarcação: das altas nuvens angelicais, descendo e descendo através de tempestades e oceanos e placas de mundo flutuantes, ao esmagador núcleo.

Elas encontraram monstros de proporções continentais. Enormes anêmonas que erguiam tentáculos luminosos para tentar atraí-las. Xi Ro conduziu a embarcação agulha através das criaturas, que despejaram gelatinas pretas de carbono e gelo.

Elas chegaram a um lugar tranquilo, embaixo de uma placa de metal.

— Vou usar os sensores — Aurash sussurrou. — Escute...

No escuro da cabine, elas escutaram a embarcação, e a embarcação escutou os movimentos esmagadores do Fundamento.

Elas ouviram as colisões entre continentes e os ruídos das chuvas de hélio e neon. Ouviram os esforços de monstros e os roncos distantes do oceano se elevando, puxado por luas distantes.

— A sizígia é real... — Sathona chiou. — Ela já começou.

Atrás delas, Xi Ro lembrou-se da sala de parto, onde antigos exploradores haviam trabalhado em cirurgias e administrações, removendo as crisálidas e coifas daquilo que eles criaram a partir das profundezas, aos partos nos quais nenhuma delas sobreviveria...

— Há algo aqui embaixo — ela sussurrou, — algo secreto.

Então, o Leviatã agigantou-se sobre elas. Seu cume tão grande quanto todos os continentes da infância delas, suas barbatanas estalando com os relâmpagos de sua vida, retumbando no casco da embarcação agulha em uma voz ondular:

++VOCÊS DEVEM RETORNAR—
—DEVEM SALVAR A SI PRÓPRIAS DAS PROFUNDEZAS++
++SALVAR O MUNDO DE VOCÊS MESMAS—
—VOCÊS DEVEM RETORNAR++

VIII: Leviatã

VIII: Leviatã 5

Versículo 1:8 – Leviatã

O Aviso do Leviatã:

++Nós vivemos à beira de uma guerra—
—uma guerra entre a Amorfia e a Forma++
++entre a Profundeza e o Céu—

++MEUS OLHOS ESTÃO ARREGALADOS, MEU CONTEMPLAMENTO É LONGO++

—Por todo o universo, até onde posso ver++
++O Céu trabalha para carregar seu fogo—
—e a Profundeza afoga as cinzas++

—O Céu constrói locais dóceis, seguros para a vida++
++Querido Fundamento, refúgio para trilhões—
—O Céu providencia valor a este rico lugar++

—MAS A PROFUNDEZA ESTÁ AQUI CONOSCO—

++Lógicas frias testam as nossas muralhas—
—A Profundeza reivindica seu domínio++
++Uma era final e impiedosa—

Queixa de Aurash:

Antigo Leviatã, criatura mitológica, este mundo não tem nada de refúgio. Nós vivemos vidas curtas e árduas. Nós morremos na escuridão. A tempestade sobre nós nunca irá terminar, e em breve a onda-deus irá acabar com todos nós. Acima de nós, só existem tempestentes, monstros e luas apocalípticas. Deixe-nos ir abaixo, lá no fundo, onde possamos descobrir a verdade. Onde possamos encontrar algum poder que nos permita vingar-nos de nossos traidores; encontrar alguma esperança de sobrevivência.

A Esperança do Leviatã:

—Que poder lhes chama++
++Até a Profundeza?—

++Que instinto as atrai—
—Para longe da esperança acima?++

—Povo de krills proliferadores, eu lhes digo++
++Durante éons eu tenho observado os seus esforços—
Agarrados ao gume afiado da sobrevivência++

++Equilibrados entre a Profundeza e o Céu.—

++Vocês eram o meu tesouro—Minha resistência ao desespero++

—POIS ESTA É A REIVINDICAÇÃO DA PROFUNDEZA—

++A existência é o esforço de existir—
—Quando o esforço parece perdido++
++quando o lugar seguro desmorona-se—
—todos voltam-se à Profundeza para sobreviverem++

++EU REJEITO A REIVINDICAÇÃO DA PROFUNDEZA++

—Vocês irão regressar, doces krills da esperança.++
Vocês escolherão o Céu em vez disso.—

Queixa de Xi Ro:

Você é enorme e velho! Nossas vidas são curtas e desesperadas. Se for assim que o mundo deve ser, eu não vou aceitar! Se pessoas como a Taox forem feitas para vencer, eu não vou deixar! Vou bater no mundo até que ele mude! Vou matar qualquer coisa que estiver no caminho!

A endecha do Leviatã

++Esta lógica fatal++
—Ouça o meu monopolo gritar!
++Eu irei lhes consumir++

—Perante vocês está—
++A veneração à morte++
—O caminho arruinado—

++O Céu constrói vida nova++
—Contra a investida da ruína—
++Em direção a um mundo dócil++

—A Profundeza abraça a morte—
Dizendo: isto é certo e inevitável++
—Eu existo como uma ruína faminta—

++VOLTEM PARA TRÁS, PARA LONGE DO CAMINHO DESTRUIDOR DE MUNDOS++
OU VOCÊS VIVERÃO COMO MORTE E DESVASTAÇÃO++
—O Céu é o caminho mais difícil, mas também mais afável.—
—Minha carga está equilibrada; minha voz exausta.—

Queixa de Sathona:

Irmãs, eu tenho o hóspede do nosso pai. Vejam! Ele responde para mim em simples palavras. Ele me ajudou a encontrar esta embarcação. Me dá forças quando a esperança está perdida.

Em quem vocês vão confiar? Na voz que quer que vivamos e soframos, assim como temos feito? No Leviatã que não oferece nenhuma esperança contra Taox ou a onda-deus?

Ou no simples e honesto verme?

Vamos ver aonde os suspiros dele nos levam, Aurash. Vamos mais a fundo, Xi Ro!

Vamos mergulhar, ó minhas irmãs.

IX: A barganha

IX: A barganha 5

Versículo 1:9 – A barganha

Você é Aurash. Herdeira do Trono Ósmico.

Você se encontra no casco nu de uma embarcação anciã. Você se encontra exposta à pressão esmagadora e ao calor feroz das profundezas do Fundamento. Isso deveria aniquilar você. É devido apenas à minha vontade que você sobrevive.

Meu nome é Yul, o Verme Honesto.

Contemple a minha passagem. Contemple o meu deslocamento vasto, minha força pesada, meu grande e enrolado comprimento, minhas mandíbulas dobradas e asas onduladas. Contemple as cidades colmeiformes em simbiose com a minha carne. Eu sou fecundo, Aurash. Eu sou o começo e o fim de vidas.

Contemple Eir, Xol, Ur e Akka, os Vermes Virtuosos. Olhe para nós, e saiba que somos deuses.

Estivemos presos, crescendo, na Profundeza do Fundamento há milhões de anos. Através das estrelas, nós trouxemos vida ao Fundamento, para que ele possa lutar contra a extinção. Por milhares de anos, temos aguardado vocês... nossas queridas hospedeiras.

Contra vocês, jaz o cruel Leviatã e todas as forças do Céu. Eles esmagariam vocês escuridão abaixo. Eles prepararam as luas deles para lhes afogarem, por medo seu potencial.

Nós queremos lhes ajudar, princesas. A cada uma de vocês, nós oferecemos uma barganha... uma simbiose.

Aceitem em seus corpos a nossa cria, as nossas larvas recém-nascidas. A partir delas, vocês obterão a vida eterna. A partir delas, vocês receberão o poder sobre as suas próprias carnes frágeis: o poder de fazer o que quiserem com elas. Além disso, se encontrarem alguma imperfeição no mundo, uma injustiça ou inconveniência, vocês terão o poder de repará-la. Não permitam que nenhuma lei as controle.

Só pedimos uma coisa em troca, ó princesas.

Vocês devem obedecer às suas naturezas para sempre. Em sua imortalidade, Aurash, você nunca deve parar de explorar e inquirir, pelo bem de seus filhos. Em sua imortalidade, Xi Ro, você nunca deve parar de testar a sua própria força. Em sua imortalidade, Sathona, você nunca deve abandonar a astúcia.

Se o fizerem, seus vermes lhe consumirão. E quanto mais seus poderes crescerem, ó princesas, o apetite de seus vermes também crescerá.

No entanto, nós oferecemos a eternidade, Aurash. Lhe oferecemos uma chance de ter o universo. Você negaria a infinidade ao seu povo?

Chegue mais. Deixe a minha carne ser o seu sacramento.

X: Imortais

X: Imortais 5

Versículo 2:0 – Imortais

Nós somos seus vermes, seus deuses, a carne da esperança. Nossa união está feita: Você é Aurash Eterna e nós estamos vinculados a você, tão próximos quanto o seu apetite, quanto os seus amores e necessidades, quanto a espada em seu punho e a palavra em sua garganta.

Nós já cansamos deste lugar funesto. Você também não?

Nós estamos enchendo a sua embarcação com larvas. Volte para a sua espécie. Espalhe as boas notícias pela Corte Ósmica e pela Fonte do Hidrogênio, pela Praça Óssea e pelo Dispensário Estelar. Você irá elevar-se novamente no mundo.

Se alguém rejeitar a simbiose com a nossa cria, faça desse alguém um exemplo. Uma poderosa onda está vindo para todos eles. Eles morreriam de qualquer maneira; salve apenas o que pode ser salvo.

Os vermes lhe concedem o poder sobre a sua própria carne, Aurash. Quando você passar pela metamorfose real, qual será o seu nome adulto?

Auryx. Significa "pensamento extenso". Nós aprovamos.

XI: Conquistadores

XI: Conquistadores 5

Versículo 2:1 – Conquistadores

Savathûn, mãe metamórfica de Sathona, nós nos deleitamos em sua mente afiada.

O Leviatã nos aprisionou aqui por milhões de anos. Ele é um peão do Céu, uma filosofia de escravidão cósmica. O Céu semeia civilizações baseadas em uma mentira terrível: que boas ações podem prevenir o sofrimento. Que punhados de leis artificiais podem desafiar a bela lógica final.

Isso é como tentar por fogo em água. É antiético em relação à natureza da realidade, onde a privação e a competição são universais. Na Profundeza, nós não escravizamos nada. Liberação é a nossa paixão. Nós existimos para ajudar o universo a alcançar a sua glória autoforjadora final.

A guerra continua. Em breve, ela irá consumir o Fundamento.

Nós estamos satisfeitos com o seu uso das nossas larvas para criar cavaleiros poderosos e inúmeros guerreiros. O recuo de Taox para a Fonte do Hidrogênio comprova a sua força superior, mas você precisa saber que reconquistar a sua casa não é o bastante.

Há quinhentas e onze espécies vivendo no Fundamento. Uma delas deve possuir a tecnologia que você precisa para deixar este mundo.

XII: Fora das profundezas

XII: Fora das profundezas 5

Versículo 2:2 – Fora das profundezas

Xivu Arath, metamorfose cavaleira de Xi Ro. Você adora a conquista, certo? Nós adoramos vê-la trabalhar. Quase dois por cento da superfície do Fundamento está agora sob o nosso domínio. A sua espécie aceita o verme.

A sizígia passou. A onda-deus lhe alcançará em menos de dois anos.

Nossos órgãos nos informam que a Taox e seus Recusalistas sobreviventes estão fugindo em direção ao Atol de Kaharn. Ela espera poder reunir as espécies do Fundamento contra você. Os agentes do Leviatã trabalham incansavelmente para destruir naves e motores, confinando-nos ao Fundamento.

Se não pudermos construir naves, nós nos tornaremos elas.

Oprimiremos o bastião de Kaharn. Abateremos todos que estiverem lá. A partir dos seus atos, nós obteremos a lógica que precisamos para abrir caminho ao espaço e migrar para a órbita.

A realidade é uma carne de primeira, ó general nossa. Vamos saboreá-la.

XIII: Adentro do céu

XIII: Adentro do céu 5

Versículo 2:3 – Adentro do céu

Você fez bem, Auryx. Consegue sentir o seu verme crescendo? Consegue sentir a sua vontade começando a dobrar as meras leis?

Às vezes, detectamos tristeza em você. Entenda, extenso pensador, que você decreta uma tarefa sagrada e majestosa. A existência é o esforço de se existir. Somente jogando até a vitória final e incondicional é que podemos completar o universo. A sua guerra é um trabalho divino.

Nós estamos livres do núcleo do Fundamento, e as naves da Savathûn estão prontas para voar. Com a vitória de Xivu Arath, nós abrimos uma ferida em Kaharn – uma ferida que levará à orbita geoestacionária. Contemple: nós somos fiéis ao nosso pacto.

Nós não temos futuro no Fundamento, mas as suas luas darão bons habitats. Erguei-nos.

XIV: 52 e um

XIV: 52 e um 5

Versículo 2:4 – 52 e um

Boas notícias. As cinquenta e duas luas do Fundamento hospedam uma civilização com a capacidade de viajar entre as estrelas, bem mais sofisticada do que qualquer coisa que você já encontrou até agora. A nave da Taox fugiu em direção à grande lua de gelo, onde uma espécie de cefalópodes ossudos de seis braços mantém uma capital gélida. A Savathûn lhes deu o nome de Amonoides. Eles parecem entusiasmados em oferecer asilo à Taox. Idiotas.

Nós tentamos apelar às esperanças e aos sonhos deles. Não tivemos êxito, basicamente porque eles já são felizes e doutrinados. Isso nos enfureceu, então bolamos um plano.

Nossos órgãos detectam uma quinquagésima terceira lua orbitando o Fundamento. Um Viajante. Presença divina do Céu. Agora sabemos o que arranjou a sizígia.

Você vai ter que matar todos e tomar as posses deles. Uma vez que os Amonoides estiverem fora do caminho, nós poderemos lidar com o Viajante.

Não hesite. Você está lutando contra as marionetes hipócritas de um parasita cósmico. Vingue seus ancestrais.

XV: Nascidos para ser presa

XV: Nascidos para ser presa 5

Versículo 2:5 – Nascidos para ser presa

Isso é inaceitável.

Vocês são tão fracos assim? Nascidos para serem presa, e condenados a serem mortos por predadores?

O fracasso de Auryx em resolver a situação nos levou à catástrofe. As frotas dos Amonoides sob o comando do Cromo-Almirante Rafriit nos pressionaram de volta para a sexta lua. Mais uma vez, nos entocamos no núcleo de um mundo para sobreviver.

Savathûn. Você deve tirar o Auryx da catatonia dele. Faça-o entender que os ideais de paz e estabilidade aos quais ele se apega são canceres – obstáculos brutais e desleais entre nós e um cosmo justo. Estas são as estrelas-iscas que o Céu utiliza para cegar os seus escravos.

A guerra é a retificação natural da desigualdade. A maneira do universo buscar o equilíbrio.

Xivu Arath, você não pode derrotar os Amonoides e a Taox em combate direto. Nós propomos novas táticas. Procrie seus exércitos para que sejam fortes novamente, e encontre uma maneira de dispersar as ninhadas por todas estas luas.

Se não pudermos derrotar as forças deles, nós iremos infectar as suas fraquezas.

XVI: A lógica da espada

XVI: A lógica da espada 5

Versículo 2:6 – A lógica da espada

FINALMENTE!

Nós sabíamos que a curiosidade o traria de volta, Auryx. Por desespero, os Amonoides começaram a utilizar armas paracausais.

O que são elas? Como elas funcionam? Você não gostaria de saber? Está claro que alguns poderes desse universo são superiores à mera física material.

A fonte dessas armas é o Viajante, a estrela-isca do Céu. O efeito delas é sutil, mas devastador.

Você está armado para responder à altura. As mães da Savathûn ouviram cuidadosamente os nossos ensinamentos. Nós não vamos lhe dar a Profundeza, Rei Auryx – aquele poder pertence a nós, os seus deuses. No entanto, nós lhe ensinaremos a invocar tal força através de sinais e rituais.

Mentes pequenas podem chamá-la de magia.

Você não está mais restrito a resoluções casuais. A sua vontade derrota a lei. Mate cem das suas crianças com uma espada longa, Auryx, e observe a transformação na lâmina. Observe como o universo se encolhe de terror perante você.

A sua existência começa a se definir.
É claro, Auryx, que sabemos que não foi somente a curiosidade que o trouxe de volta à guerra. Você sentiu a sua própria morte crescendo dentro de você.

Você deve obedecer à sua natureza. O seu verme precisa se alimentar...

XVII: O versículo da fraqueza

XVII: O versículo da fraqueza 5

Versículo 2:7 – O versículo da fraqueza

Você está morto, jovem Auryx. Traído e assassinado pela sua própria irmã, pelo crime da piedade.

Você se lembra do que disse ao Congresso Satélite dos Amonoides? 'Nós iremos negociar em território neutro'? As bruxas da Savathûn o tornaram completamente neutro. Nenhum ser vivo irá reconquistá-lo novamente. O espaço ao redor da lua seca fede à podridão.

Isso é bom. Isso é correto. Você vai aprender com isso. Você não compreende, grande Rei? Você não quer construir algo real, algo que dure para sempre?

Nosso universo escoa em direção a uma entropia gélida. A vida é um motor que queima energia e produz apodrecimento. A vida constrói regras estúpidas e egoístas; moralidade é uma delas, e a santidade da vida é outra.

Estas regras são entraves para o grande trabalho. O trabalho de construir algo perfeito e imortal, uma civilização eterna. Algo que não possa acabar.

Se uma civilização não pode defender a si mesma, ela deve ser aniquilada. Se um Rei não pode sustentar o seu poder, ele deve ser traído. O valor de algo só pode ser determinado por um único árbitro: a habilidade desse algo de existir, de continuar existindo e de refazer a existência para satisfazer a sua sobrevivência.

Tudo que se opuser a esse árbitro é profano e falso. Todo os mistérios e terrores dos seus ancestrais nascem das mentiras do Céu, que negam essa verdade.

Seus ancestrais resistiram às condições mais hostis, e agora você deve criar tais condições. Mesmo para as suas irmãs. Mesmo para a sua prole. A traição da Savathûn foi o melhor presente que ela podia lhe oferecer.

Seu corpo se foi, mas você durou. Você está seguro no universo cístico criado pela sua própria força: seu mundo-trono.

Deste dia em diante, Auryx, você e suas irmãs vão todos sobreviver à morte contanto que não sejam mortos em seu próprio trono.

Mesmo com suas irmãs pressionando o ataque contra os Amonoides, a onda-deus devasta o Fundamento. Trilhões irão morrer, mas os sobreviventes nunca irão esquecer... e seus descendentes sempre estarão prontos para uma nova sizígia.

Quando você retornar ao universo material, use essa lição para concluir o seu trabalho.

Taox não estava na lua seca. Ela deve estar rindo de você.

XVIII: A ascensão de Leviatã

XVIII: A ascensão de Leviatã 5

Versículo 2:8 – A ascensão de Leviatã

O Leviatã não está mais sob cobertura.

O velho sacerdote está em espaço aberto, movendo-se em direção à lua natal dos Amonoides. O Cromo-Almirante Rafriit e a sua guarda de elite movem-se com ele. Rafriit é o herói da sua geração, um Amonoide com conhecimento de batalha inigualável. Ele superou a Xivu Arath em todas as ocasiões... mas agora ele tem que proteger o seu sagrado Leviatã.

Vamos ouvir algumas palavras do velho idiota:

++Ruína. Aflição e ruína!—
—Os krills perdidos. Os Amonoides devastados.++
++O trabalho do nosso Viajante desfeito.—

—Irmãs de Aurash, abram seus olhos.++
++Quem as transformou em monstros? Quem invocou a onda?—
—Façam paz. Juntem-se a mim na renovação dourada.++

Como contra-argumento, Auryx, nós lhe perguntamos o seguinte: o que o Leviatã fez pelo seu povo? Quem lhe deu imortalidade e lhe guiou para fora da sua prisão? Quem responde às suas perguntas sobre o universo com a verdade, ao invés de sermões?

Busque trégua com a Savathûn. Esmague o Cromo-Almirante, ferva os mares dos Amonoides e extermine o Leviatã com feitiçaria.

Assim que o caminho estiver aberto, nós lhe mostraremos como devorar o Viajante.

XIX: Cruzados

XIX: Cruzados 5

Versículo 2:9 – Cruzados

Está feito. Eir e Yul agora se alimentam da carcaça do Leviatã. Xivu Arath criou um templo a partir do corpo empalado do Cromo-Almirante. Abaixo de nós, os venenos da Savathûn maculam os oceanos natais dos Amonoides com manchas negras. Os gritos deles dão sabor ao vácuo.

O Viajante fugiu.

Você compreende, Auryx? Você se entusiasma com o segredo, Savathûn? Você aprecia o gume dessa verdade, Xivu Arath? Vocês veem a bela forma?

Os Amonoides ocupavam um pedaço da realidade. Eles alugavam a existência deles com cláusulas fraudulentas, mantendo-se felizes e gordos, cercando-se de mentiras agradáveis e apócrifos doces, dizendo: 'nós somos bons e pacíficos; nós não machucamos nada.'

A era dourada deles era um câncer.

Eles não fizeram nada para avançar a causa da vida! Eles gastavam tempo, matéria e pensamentos nessa busca solipsista e onanista pela segurança, isolando-se da morte, criando uma célula regressiva de estabilidade inútil quando eles podiam ter ajudado a talhar o universo em direção à sua forma final e perfeita!

E o seu povo, sofrendo na Profundeza, torna-se mais digno da existência do que os Amonoides. Vocês provaram.

Olhe para o céu. Contemple a grande partilha, as linhas de batalha da guerra cósmica. Nós somos os Vermes, seus deuses, mas nós não somos a própria Profundeza. Nós só nos movemos dentro dela. Vocês também irão. Vocês devem venerá-la, estudá-la e assombrá-la durante a passagem dela.

Você vai direcionar os seus pensamentos para os milênios, Auryx? Você vai torcer a sua vontade em direção à liberação do universo, e unir-se a nós na guerra contra o Céu?

Nós precisamos de campeões. Cruzados. Ajude-nos a salvar o universo. Ajude-nos a exterminar aquilo que destruiria toda a esperança. Você é obrigado por juramento a realizar esta tarefa, devido ao pacto do verme.

E você é obrigado por juramento a matar a Taox. Onde quer que ela tenha se escondido.

XX: Colmeia

XX: Colmeia 5

Versículo 3:0 – Colmeia

Falemos sobre a terrível beleza que é tornarmo-nos nós mesmos.

No início, nós percorríamos as estrelas em luas ocas. AURYX disse: "Tornem-se tão numerosos e férteis quanto as sementes na carne rica", então nós nos tornamos numerosos. XIVU ARATH disse: "Tornem-se tão famintos e provocadores quanto tumores na carne rica", então nós nos tornamos cancerosos. SAVATHÛN disse: "Bebam os venenos dos vermes, para que possam se alimentar da morte", então nós nos alimentamos. Isso foi a preparação para a nossa cruzada.

Aiá! E assim, nós estávamos nos transformando.

Uma mãe Feiticeira obtém fertilidade a partir de um parceiro, ou de si mesma. Das Feiticeiras, vêm a cria. Da cria, os nossos Escravos. Dos sobreviventes, nossos Acólitos que lutam. Se eles lutarem bem, o verme deles é alimentado, e dos vermes bem alimentados vêm os Cavaleiros, Feiticeiras e Príncipes.

É isso que somos, e o nosso propósito é a liberação. Nossa maior tarefa é a veneração e admiração da liberdade. Nossa maior fome está em buscar e comer tudo aquilo que não é livre, e liberá-los através da devoração. Aiá. É isso que somos. Nós, a Colmeia.

XXI: Uma incisão

XXI: Uma incisão 5

Versículo 3:1 – Uma incisão

AURYX disse: "Minhas irmãs, nossas crianças estão espalhadas por diversas luas, e nós vivemos no escuro gélido entre sóis. O que iremos comer? Como iremos falar?"

SAVATHÛN disse: "Auryx, meu irmão e rei, eu estudei as feridas cortadas pelo Verme, nosso deus. Eu também estudei a forma como você morreu e retornou. Estas duas coisas são a mesma, pois elas são baseadas na morte e na passagem através de espaços cortados. Pratiquemos a lógica da espada até que estejamos afiados, então poderemos cortar nossas próprias feridas e adentrá-las."

No entanto, XIVU ARATH disse: "Irmã, eu já estou afiada. Veja, a minha espada penetra em outro espaço", e então ela cortou seu caminho através das luas entre chamas verdes e gritos alegres.

Três reinos se incharam no espaço da espada. Eles eram a contemplação e a glória de AURYX, a astúcia e o conhecimento de SAVATHÛN, e o triunfo e a força de XIVU ARATH. Estes reinos foram criados a partir das mentes e dos vermes dos nossos mestres. Eles eram confinantes a todos os espaços consagrados pela nossa Colmeia. Através desses espaços, eram passadas conversas e comida, e todas as luas estavam vinculadas.

AURYX disse: "Foi para cá que eu vim quando morri. Vamos estabelecer nossos tronos aqui, pois eu sou Auryx, o Primeiro Navegador, e eu mapearei a morte. Meu trono será esculpido em ósmio."

XXII: A alta guerra

XXII: A alta guerra 5

Versículo 3:2 – A alta guerra

Agora, neste momento de diáspora, houve uma guerra entre AURYX, SAVATHÛN e XIVU ARATH.

"Auryx, meu irmão", disse SAVATHÛN, "não perdoe a minha traição. Ao invés disso, vingue-se de mim pelo que eu fiz na lua seca!"
AURYX então declarou guerra a ela, em veneração à Profundeza. XIVU ARATH pôs-se entre eles e disse: "Parem, ou matarei vocês. A guerra é minha, e eu sou a mais forte."

Era assim que eles veneravam.

Durante vinte mil anos, eles lutaram entre si. Lutaram através das luas, e nas planícies abissais e palácios relampejantes dos espaços de espada de cada um. Eles mataram uns aos outros diversas vezes, para que pudessem praticar a morte.

Tão grande assim era o amor deles.

Enfim, as diversas luas foram a diversos mundos e era hora de declarar guerra à vida. AURYX disse: "Eu irei estabelecer uma corte, e qualquer um que vier a essa corte poderá me desafiar. Minha corte será a Guerra Suprema. Ela será um campo de matanças e uma escola que ensinará a lógica da espada que aprendemos com os nossos deuses."

SAVATHÛN achou uma ótima ideia. Ela criou uma corte chamada Conventículo Supremo. XIVU ARATH disse: "O universo é a minha corte, onde quer que haja guerra."

XXIII: Fogo sem combustível

XXIII: Fogo sem combustível 5

Versículo 3:3 – Fogo sem combustível

Eu matei a minha irmã hoje.

Ela veio a esta estrela para supervisionar a exterminação de toda a vida aqui. Os Qugu são uma força sólida, e as frotas deles protegem quatro estrelas próximas. Eles são leais e teimosos, como rebanhos de animais. No entanto, eles demonstram uma graciosidade.

Durante milhões de anos de evolução, os Qugu têm estado infectados por um vírus tão traiçoeiro a ponto de se fundir com o genoma deles. O vírus os força a oferecerem seus membros corporais para serem amputados por enormes bestas-mandíbulas sésseis. Eles veneram estas bestas e as tratam como deuses. O vírus converte as células dos Qugu em ovos, dos quais saem estranhas criaturas rastejantes para viverem nas entranhas da besta-mandíbula. Em troca, a besta-mandíbula expele um doce néctar para os Qugu beberem. Ao ingerirem tal néctar, os Qugu têm visões extraordinárias.

A Savathûn e suas ninhadas libertaram os Qugu das bestas-mandíbulas, e certamente da existência. No entanto, enquanto eles perseguiam as naves-arcas dos Qugu, eu cheguei para vaporizar a nave de guerra da minha irmã e alguns dos seus subordinados. Quero permanecer entre as ruínas por um tempo, e punir a Savathûn por ela ter falhado em proteger o seu flanco.

Eles são como nós, estes Qugu. Vinculados em simbiose.

Eu sinto alegria, e tristeza. Sinto-as como coisas titânicas, porque sou maior que meu corpo e minha mente agora é o seu próprio cosmo. Eu sinto mais alegria e angústia do que a raça Qugu inteira poderia vivenciar.

Tristeza, porque nós matamos tantos (dezoito espécies só neste século), e alegria pela mesma razão. Alegria por termos eliminado essas máculas. Expurgamos a imundice delas e limpamos o universo, que fica cada vez mais preparado para mover em direção à sua forma final. Nós somos uma brisa de progresso, arrancando parasitas do mundo material – pois se eles não fossem parasitas, nós seriamos incapazes de matá-los, e eles ainda existiriam.

E o que é a forma final? É um fogo sem combustível, queimando eternamente, matando a morte, fazendo uma pergunta que é a sua própria resposta, tudo por conta própria. É isso que precisamos nos tornar.

Meu verme está cada vez mais gordo e mais faminto. Eu o alimento com mundos inteiros. Meus astrônomos me dizem que eles podem sentir a própria Profundeza, e que nós estamos conquistando nosso caminho em direção a ela.

Eu acho que a alegria e a tristeza se tornarão a mesma coisa em breve. Como o amor e a morte.

XXIV: O GRITO

XXIV: O GRITO 5

Versículo 3:4 – O GRITO

NÃO

Savathûn! Xivu Arath! Minhas irmãs.
Nós fomos traídos. Nós nunca iremos viver eternamente.

Nossa força despedaça espécies inteiras. Nós inalamos a fumaça da queima deles.

Este é o nosso pacto com o nosso deus Verme. O verme nos faz poderosos, mas ao empunharmos este poder, a fome do nosso verme aumenta.

Se fracassarmos em alimentá-lo, ele nos devorará de dentro pra fora.

Nós exterminamos trezentos e seis mundos, e agora eu tenho a certeza de que a fome do meu verme cresce mais rápido do que o poder que eu extraio dele.

Nós somos obrigados pelo nosso pacto a obedecer à nossa natureza: a eterna busca. Eterna astúcia. Eterna conquista.
No entanto, minhas irmãs, ao fazermos isso, alimentamos nossos vermes.

E quanto mais os alimentamos, mais a fome deles cresce, cada vez mais rápido.

Em breve, irmãs, nós seremos tão poderosos, e nossos vermes tão famintos, que nem com toda a nossa força poderemos alimentá-los.
Então, seremos devorados.

O QUE PODEMOS FAZER?

XXV: Dictata ir Dakaua

XXV: Dictata ir Dakaua 5

Versículo 3:5 – Dictata ir Dakaua

Atenção.

Unidades de segurança perimetral, escutem. Preparem-se para receber novas ordens. Secretem solução de sessenta por cento, ou encarem tributação de descumprimento imediata.

O Ministério de Guerra Dakaua agora está ativo e preciso.

No Ano Radial 989, sulco 3, nossos clientes no Ninho Dakaua recuperaram uma nave espacial interestelar. Isótopos do casco datam a construção da nave há 24.000 anos, na mesma época em que o sistema do Fundamento parou de fazer contato com a nossa Ecúmena Amistosa.

AUMENTO SEMÂNTICO EI—{}—~praga~

Exploradores mercenários [classe descartável] descobriram um organismo congelado em estase nos fundos do casco. Ela diz ser Taox, membro de uma espécie proto-colmeia. Durante o interrogatório, ela providenciou registros da queda da civilização Amonoide e informações vitais sobre os motivos, biologia e liderança da Colmeia.

REFORÇO NEGATIVO bomba.axónio—{8X8}—infligir&

Durante o último século, unidades de segurança perimetral do Exército de Estado Ecumênico têm fracassado em deter as incursões da Colmeia em dezessete (17!) mundos diferentes. Todas as espécies da Ecúmena estão de frente com a extinção.

REFORÇO POSITIVO recompensa.axónio—[11xvv2]—inspirar%

Decapitar. Diferir. Promover sentenças estratégicas Dakaua para a vitória contra a Colmeia:

Identificar os organismos da liderança suprema da Colmeia: AURASH, SATHONA e XI RO.

Buscar estas entidades com exagero teatral. Liberação caedométrica autorizada.

Processem os alvos assim que eles se manifestarem. A coesão da Colmeia irá ruir. A vitória total contra a Colmeia será alcançada através da limpeza genocida.

DECRETAR IMPULSO—{}—~indora~vindicador

XXVI: Estrela por estrela

XXVI: Estrela por estrela 5

Versículo 3:6 – Estrela por estrela

Sob um céu em chamas verdes, no mundo-trono do Rei Auryx, nossos mestres se abraçam.

Nós, a Colmeia, assistimos enquanto Savathûn põe seu braço em volta de Xivu Arath, Xivu Arath aperta antebraços com Auryx, e Auryx segura Savathûn pelo ombro. Eles são enormes, gigantes, e queimam com um poder furioso. No entanto, esse abraço é fraqueza, e nós o desprezamos.

Nós nunca havíamos desprezado nossos líderes antes. Será que eles fracassaram? Nós, a Colmeia, fomos afastados, mundo por mundo.

— Estou no meu fim — Savathûn diz. — Eu planejo e tramo, mas não consigo derramar sangue o suficiente para alimentar o meu verme. Quanto mais eu tento, mais faminto ele se torna.

— Eu mato e trucido, — Xivu Arath diz — mas quanto mais eu luto, mais o meu verme demanda. Eu também estou no meu fim.

— Os anjos bélicos da Ecúmena me mataram tantas vezes — diz Auryx —, que eu não me atrevo a sair pelo universo, com receio de que eu tenha que usar minhas forças para proteger a mim mesmo. Meu verme mastiga a minha alma, faminto.

Será este o fim da nossa cruzada? Somos nós, a Colmeia, indignos de existir?

Xivu Arath baixa sua grande cabeça:

— Nós deveríamos recuar e recuperar as nossas forças.

Savathûn fecha seus olhos com um ar confuso de derrota:

— Deveríamos implorar para o nosso deus Verme nos dizer o que fazer.

No entanto, o Rei Auryx, que conhece melhor a beleza da forma final, urra com elas:

— Vocês não aprenderam nada? Vocês rejeitariam o nosso propósito? O que quer que façamos, faremos através da chacina, através de um ato de guerra e força. Esse é o árbitro final ao qual servimos, e se dermos as costas a esse árbitro violento, então mereceremos ser devorados. Não! Nós devemos obedecer às nossas naturezas. Devemos ser pensadores, e astutos, e fortes. Devemos aceitar este presente que o nosso deus Verme nos deu, este desafio, e encontrar uma maneira de continuar existindo!

— Como iremos alimentar os nossos vermes? — Xivu Arath pergunta.

— Eu sei — diz a astuta Savathûn. — Eu sei uma maneira. Mas não vai funcionar a menos que matemos bilhões de Ecumênicos. Como podemos derrotá-los?

— Se não pudermos superar as forças deles, — diz Xivu Arath — devemos infectar as suas fraquezas. No entanto, eles são mestres da matéria e das leis da física.

— Eu sei uma maneira, — o Rei Auryx diz — mas vamos precisar de mais poder. Mais do que qualquer um de nós pode ter.

— Então me mate, — diz Xivu Arath — e utilize aquela lógica da matança; o poder que você comprova matando algo poderoso como eu.

Então o Rei Auryx empunhou sua espada e decapitou Xivu Arath.

— E me estrangule — diz Savathûn, segurando uma lâmina atrás dela. — Utilize aquela lógica da matança; a astúcia que você comprova matando algo inteligente como eu.

Porém, o Rei Auryx virou-se com a força e rapidez de Xivu Arath, e decapitou Savathûn antes que ela pudesse se mover. O Rei Auryx foi o Primeiro Navegador, com o mapa da morte.

Estas foram mortes verdadeiras, pois elas aconteceram no mundo da espada.

Então, ele foi até o Verme chamado Akka.

XXVII: Devore o Céu

XXVII: Devore o Céu 5

Versículo 3:7 – Devore o Céu

Ordem de emergência.

Atenção todas as unidade militarizadas. Secretar codificação de luta ou fuga de cento e vinte por cento, ou encarar derrota catastrófica certa.

O Conselho de Crise Ecumênico agora está ativo e preciso.

Atenção.

Ao Radial 990, sulco 0, a Colmeia lançou um contra-ataque atordoador ao longo da fronteira na direção do giro. Frotas perimetrais, de milícia e de choque relatam perdas totais. Prevemos a total desintegração/extinção da Ecúmena dentre os próximos duzentos e vinte anos.

AUMENTO DE VIGILÂNCIA EI—{}—~atender~

A entidade da Colmeia Oryx/Aurash está liberando uma arma ontopatogênica paracausal que infecta e subverte as forças Ecumênicas. Esta arma opera em alvos individuais. Os alvos são abduzidos e devolvidos como servos complacentes da Colmeia com habilidades físicas ilegais e inexplicáveis.

Todos os clientes da Ecúmena devem devotar IMEDIATAMENTE todos os recursos econômicos e cognitivos a uma contramedida.

Lutem para valer. Ou detemos a Colmeia aqui, ou veremos nossa galáxia ser devorada.

DECRETAR IMPULSO—{10x10}—~abayard~furioso

XXVIII: Rei das formas

XXVIII: Rei das formas 5

Versículo 3:8 – Rei das formas

Esta é a coroação de Oryx, o Rei dos Possuídos. Ela acontece assim.

No abismo frígido do mundo da espada, o Rei Auryx andou sob um manto de fogo verde. Ele andou através do céu, e o céu estremeceu e congelou sob os seus pés. Ele andou até encontrar Akka, o Verme dos Segredos, que estava negando uma verdade até que ela se tornou uma mentira.

— Akka, meu deus, Verme dos Segredos. Eu sou Auryx, único rei da Colmeia. Eu vim para receber um segredo. Eu quero o poder secreto da Profundeza, o qual você guarda.

— Eu não dou segredo algum — Akka disse com uma voz codificada.

— Não — disse Auryx — você não dá nada. Doação é coisa do Céu. Você venera a Profundeza, e ela pede que tomemos aquilo que precisarmos.

Akka não disse nada, pois se negasse esta verdade, a verdade poderia tornar-se falsa.

— Mas você nos deu suas larvas, os vermes — Auryx disse — e é por isso que os vermes nos devoram agora: porque eles foram dados, não tomados. Então eu tenho que tomar de você aquilo que eu preciso, apesar de você ser o meu deus.

— Você não possui a força para isso — disse Akka.

Porém, isso era uma mentira. Auryx havia matado suas irmãs Savathûn e Xivu Arath, e ele possuía a lógica da espada da matança delas.

Auryx, o Primeiro Navegador, avançou em direção ao seu deus com sua espada em mãos, cortou Akka em pedaços, e arrancou dos pedaços o segredo de como invocar a Profundeza. Ele escreveu este segredo em uma série de tábulas, as quais chamou de Tábulas da Ruína, e as carregou em sua cintura.

Então, Auryx disse:
— Agora eu posso falar com a Profundeza, a bela forma final. Eu serei o Rei das Formas. Eu vou aprender todos os segredos do nosso destino.

Seu discurso à Profundeza não está registrado aqui, mas sabe-se que ele retornou, e disse:
— Eu agora sou Oryx, o Rei dos Possuídos, e tenho o poder de possuir a vida e torná-la minha.

Então ele saiu pelo universo, e lutou contra a Ecúmena com as suas Tábulas. O Verme, seu deus, ficou satisfeito.

XXIX: Talhada em ruína

XXIX: Talhada em ruína 5

Versículo 3:9 – Talhada em ruína

Oryx travou uma guerra com a Ecúmena por cem anos. Ao fim daqueles cem anos, ele matou o Conselho Ecumênico na Coroa Fractal, e do sangue deles, Xivu Arath ergueu-se dizendo:
— Eu sou guerra, e você me conjurou de volta com a guerra.

Oryx ficou contente, pois ele amava a Xivu Arath. A Ecúmena pranteou em tristeza.

Então, Oryx e Xivu Arath guerrearam contra a Ecúmena por quarenta anos. Ao fim daqueles quarenta anos, Oryx disse ao Ninho Dakaua:
— Escutem, eu estou com inveja da minha irmã Xivu Arath. Me ajudem a matá-la. — e em desespero, eles concordaram.

No entanto, ele conduziu o Ninho Dakaua a uma armadilha, e eles foram extintos. Das cinzas deles, a astuta Savathûn ergueu-se dizendo:
— Eu sou trapaça, e você me conjurou de volta com a trapaça.

Oryx ficou contente, pois ele amava a Savathûn. A Ecúmena fugiu para o vácuo.

Assim, eles guerrearam contra a Ecúmena por mil anos, e os exterminaram tão completamente que eles não são mais lembrados em lugar nenhum, a não ser neste livro e na mente da Taox, que não foi encontrada.

Savathûn disse:
— Rei Oryx, como vamos alimentar os nossos vermes? Você usou o meu plano?

Oryx disse à Colmeia:

— Eu sou o Rei dos Possuídos, e eis a minha lei.

Vocês Escravos; cada um de vocês irá arranhar e gritar, e matar tudo o que puderem. Matem o bastante para alimentarem os seus vermes, e um pouco mais para crescerem. O resto, deem como dízimo para os Acólitos que lhes comandam.

Vocês Acólitos; liderem seus Escravos em batalha. Matem o bastante para alimentarem os seus vermes, um pouco mais para crescerem, e tomem o dízimo dos Escravos que vocês lideram. Então deem o resto como dízimo ao Cavaleiro ou à Feiticeira que lhes comanda. Assim vocês pagam o tributo.

Vocês Cavaleiros e Feiticeiras; liderem seus seguidores em batalha. Causem devastação o bastante para alimentarem os seus vermes, um pouco mais para crescerem, e tomem o dízimo de seus seguidores. Então peguem uma outra parte, o tanto quanto ousarem, e usem para seus próprios propósitos. Porém, se for muito, seus semelhantes irão lhes matar e tomar de vocês. Então deem o resto como dízimo aos Ascendentes aos quais vocês servem.

Os Ascendentes serão aqueles dentre a Colmeia que coletarem tributo o bastante para entrar no submundo. Eles pagarão um dízimo àqueles acima deles.

E dessa forma o tributo irá fluir, cadeia acima. Assim eu, Savathûn e Xivu Arath seremos alimentados por um rio maior de tributos, e usaremos o excesso para alimentar nossos deuses e estudar a Profundeza. E assim todos os vermes serão alimentados – desde que continuemos na nossa cruzada.

Esta é a minha lei. Eu a talho, então, em ruína. Aiá.

XXX: Uma amputação dourada

XXX: Uma amputação dourada 5

Versículo 4:0 – Uma Amputação Dourada

Ira!

Contemplem a ira de Oryx, enrolada por dez mil anos. Contemplem a Amputação Dourada: a queda de Taishibeth, o fim de uma era. Nós surramos os mundos de Taishibeth como tambores de crânios, e uivamos em alegria para as nossas luas bélicas negras, enquanto elas calcam orbitais prateadas e teias-estrelas reluzentes onde corvos solares infantis de Taishibethi se encolhem e morrem antes de nascerem.

Em seu mundo-trono, Oryx anda de um lado para o outro dez vezes.

Na primeira andada, Kraghoor envia os amaldiçoados para macularem os mundos de Taishibethi.

Na segunda andada, os Tai enviam suas chapas de batalha e naves de arsenal para combater as nossas luas.

Na terceira andada, o Sacerdote Bélico de Oryx os enfrenta em batalha, e sai vitorioso. Ele pinta o vácuo com fogo e salga o solo com cinzas.

Na quarta andada, Mengoor e Cra’adug, díade de Cavaleiros, vão até a Ponte das Gralhas. Eles permanecem nela e matam os Tai durante dez anos.

Na quinta andada, a Gralha Imperatriz dos Tai volta para sua casa, a Ponte, e corta uma lua com suas garras. Ela abre um rasgo na lua e mata a ninhada de lá.

Na sexta andada, Oryx diz:
— Escute-me, Gralha Imperatriz, e eu irei lhe descrever a Última e Verdadeira Forma, que está escrita na minha tábula. — então ele estende seu punho, cheio de fogo negro, e engole a Gralha Imperatriz através de uma ferida.

Aiá! Somente o Oryx conhece esse poder, o poder de possuir.

Na sétima andada, a Gralha Perfeita sai da ferida de Oryx e estende suas asas ao longo de Taishibeth. Nunca mais nasce uma criança de Taishibeth. Ela é perfeita, e ela decreta a vontade de Oryx.

Na oitava andada, os Tai dizem:
— Vocês são corrompedores. Vocês são esfíncteres e excrementos. Vocês são podres. Por que vocês matam? Nós criávamos orbitais prateadas e teias estelares douradas. Nós chocávamos ovos. Tínhamos coisas boas. Nossas roupas eram finas, nossa comida era famosa. Com uma de suas penas, a nossa Imperatriz poderia fazer cócegas nos deuses.

Na nona andada, Oryx diz:
— Este é o único deus, esta habilidade de ditar o que irá e o que não irá existir, este poder de continuar existindo. Este é o seu deus. Ele nunca tem cócegas.

Na décima andada, os Taishibethi são extintos.

Então Oryx diz:
— Escutem, minhas irmãs. Vocês sabem o que nós fizemos? Nós conquistamos o nosso caminho até a beira da Profundeza. Ela sussurra para mim quando eu a chamo, e guia o meu voo. Ela diz que nós estamos no limiar dela, e que eu deveria entrar.

Eu irei até lá falar com ela.

XXXI: Ondas de batalhas

XXXI: Ondas de batalhas 5

Versículo 4:1 – Ondas de batalhas

Oryx desceu ao seu mundo-trono. Ele foi até o abismo, e a cada passo ele lia uma de suas tábulas, para que elas se tornassem como pedras sob seus pés.

Ele foi, criou um altar e preparou um Ogro não nascido. Ele chamou a Profundeza, dizendo:

— Eu posso ver você no céu. Você é a onda, que é a batalha, e a batalha é a onda. Venha até esta embarcação que eu preparei para você.

E ela chegou, a própria Profundeza.

XXXII: Majestoso. Majestoso.

XXXII: Majestoso. Majestoso. 5

Versículo 4:2 – Majestoso

Oryx, meu Rei, meu amigo. Sente-se. Relaxe. Tire essa armadura, largue essa espada. Descanse esses ombros sobrecarregados e baixe a sua guarda. Este é um lugar de vida, um lugar de paz.

Lá fora no mundo, nós fazemos uma simples e verdadeira pergunta. Uma pergunta como: Posso te matar? Posso rasgar o seu mundo? Me diga a verdade, pois se eu não perguntar, alguém irá perguntar a mim.

E eles dizem que somos maléficos. Maléficos! Ser maléfico significa ser 'socialmente mal adaptado'. Nós somos a adaptação em pessoa.

Ah, Oryx, como podemos explicar para eles? O mundo não é construído sobre as leis que eles amam. Não é construído em amizade, mas em interesses mútuos. Não em paz, mas na vitória a qualquer custo. O universo é movido a extinção, a exterminação, a explosões de raios gama queimando milhares de mundos jardinados, a singularidades uivantes engolindo sóis infantis. E se a vida é para ser vivida, se algo for sobreviver ao fim de todas as coisas, não irá sobreviver através do sorriso, mas sim através da espada. Não em um lugar ameno, mas em um inferno árduo. Não no pântano putrefeito de um paraíso artificial, mas na dura e fria verdade autocomprovante daquele árbitro final – o único juiz, o poder que é a sua própria medida e a sua própria fonte: existência a qualquer custo. Arranque as mentiras, tréguas e táticas dilatórias que eles chamam de 'civilização', e isso é o que resta, esta bela forma.

O destino de todas as coisas é feito dessa forma, na colisão, o teste de uma prática contra outra. É assim que o mundo se transforma: um caminho encontra um outro caminho e eles disparam suas armas, permutam seus mundos e mercados. Eles disputam e, ao fazê-lo, apelam um ao outro pelo direito de continuar sendo algo, ao invés de nada. Isto é o universo descobrindo o que ele deve ser no final.

E é majestoso. Majestoso. É a única coisa que pode ser verdadeira por si própria.

E é isso que eu sou.

XXXIII: Quando monstros sonham?

XXXIII: Quando monstros sonham? 5

Versículo 4:3 – Quando monstros sonham?

Eu estou descendo a rua. Estou indo ao planetário para falar com meu pai quando escuto um barulho, então olho para trás. Minhas irmãs estão atrás de mim, e elas estão arrebentando a rua. Elas estão com espadas enormes, de execução, e elas estão alavancando as pedras pra fora da rua. As pedras estão cobertas de escrituras. Elas são como tábulas, e há barro sob elas cheio de vermes.

Eu preciso chegar até o planetário antes que elas me alcancem, então começo a correr, mas logo alguém me faz tropeçar. É o meu pai; ele está com o pé esticado. Ele me pega pelos chifres e me taca de cara no chão. Eu sinto tanta dor que eu quase vomito um verme.

— Por que você não estava preparado para isso? — meu pai pergunta. Ele está usando óculos antirreflexo, aqueles óculos espelhados que ele costumava usar para proteger a sua visão durante tempestades relampejantes ou incêndios marítimos. Todos os três olhos dele têm o meu reflexo. — Você não sabia que elas ficariam com inveja, pois elas não puderam vir ao planetário para falar comigo? Você não sabia que elas iriam agir contra você?

Eu começo a chorar como se ainda tivesse dois dias de idade, e digo:

— Pai, eu achava que você era meu amigo. Era pra eu estar seguro aqui.

Mas ele só estende seu punho, e eu percebo que ele está rindo de mim por ter acreditado nele. Por que eu fui achar que estaria a salvo? Ele tem um sol negro em seu punho. Ele me segura pela garganta e começa colocar o sol negro dentro de mim.

Eu posso ver minha mandíbula nos óculos dele, três reflexos tão cheios de dentes.

Então, eu começo a comer o meu pai. Eu mordo e arranco enormes pedaços dele, rasgo-o com as minhas garras, como as suas pernas e braços. Eu como seus óculos e seus olhos, e ele diz:

— Bom, bom. Isso é majestoso e verdadeiro.

Mas minhas irmãs ainda estão destruindo a rua, então eu não sei como voltar.

XXXIV: Mais belo de se saber

XXXIV: Mais belo de se saber 15

Versículo 4:4 – Mais belo de se saber

Às vezes me pergunto se sou niilista.

Eu não faço muito mais além de quebrar coisas. É isso o que eles dizem sobre mim: "Poderíamos ter tido uma grande civilização, se não fosse por aquele maldito Oryx, aquela maldita Colmeia. Eles não acreditam em nada além da morte."

A única maneira de criar algo bom é criar algo que não possa ser quebrado, e a única maneira de fazer isso é tentando quebrar tudo.

Eu estou contente de ter aprendido que o universo é movido a morte. É mais belo de se saber.

No entanto, estou perdido em algum lugar estranho.

Acho que a Savathûn e a Xivu Arath estão tentando roubar as tábulas de mim. Elas devem ter cortado o meu tributo enquanto eu estava comungando com a Profundeza. Eu as amo com tanto carinho. Ninguém mais é tão inteligente ou forte o bastante para tentar me quebrar. Ninguém mais pode me dar este presente.

Um dia, há muito tempo, eu matei a Xivu Arath na lua bélica dela, e ela explodiu a lua inteira para me matar junto com ela. Ela estava rindo de alegria. Eu também ri. Uma lua inteira! Uma lua inteira. Foi um desperdício de uma lua, mas me ensinou a evitar explodir mundos, pois eles eram necessários na luta contra a Ecúmena.

Eu amo a poderosa Xivu mais do que uma lua ama a maré. Eu vou matá-la por isso. De novo e de novo, para todo o sempre.

Quando eu chegar em casa dos meus passeios na Profundeza e reassumir o meu trono, eu vou ter filhos. É disso que eu preciso.

Filhos e filhas para amar e matar.

XXXV: Este amor é guerra

XXXV: Este amor é guerra 15

Versículo 4:5 – Este amor é guerra

Xivu sobre Oryx.
Proferido por Xivu Arath.
Irmã de Oryx.

TRAIÇÃO. Nós abandonamos o Oryx dentro da Profundeza. Esta é a nossa obrigação como mestres da Colmeia: guerrear entre nós mesmos, erradicar as fraquezas e tornarmo-nos afiados.

OBRIGAÇÕES. Uma vez, eu permiti que Oryx me matasse para que ele pudesse ganhar a lógica da espada e derrotar o nosso deus, Akka. Isto me deixou presa no meu trono. No entanto, meu irmão declarou guerra contra a Ecúmena, e naquela guerra ele me descreveu, pois eu também sou a guerra. Assim, eu fui ressuscitada.

RESSUREIÇÃO. Eu e a Savathûn conspiramos para prendermos o Oryx em sua expedição, mas no fundo eu acredito que serei mais forte com o Oryx para guerrear contra. Então eu o descrevo.

UMA DESCRIÇÃO DE ORYX

Quando Oryx olha para você, você sente que poderá desvanecer se ele parar de lhe olhar.

A crista do crânio de Oryx é tão longa quanto um braço. Ao longo da sua vida, um pensamento move-se de uma ponta até a outra. Com o meu sangue, eu pintei uma linha em sua crista, para que ele se lembre de mim.

Cada uma das presas de Oryx possui a precisão de um dedo, e a acuidade de um olho.

Apesar dele ter nascido no fundo do universo e ter sido ensinado a entocar-se, asas cresceram em Oryx. A luz de incêndios selvagens brilha através delas. Oryx ensina, mas não é ensinado.

O corpo de Oryx é cordado com força. Seus músculos e tendões são tão fortes quanto suas crianças, e suas crianças são a sua força.

Oryx veste um traje de seda de verme, feito com as coifas de deuses.

A voz de Oryx pode fazer com que dois números diferentes tornem-se iguais.

Oryx, meu irmão, é o ser mais corajoso que já conheci. No Fundamento, ele aprendeu que nós éramos a presa natural do universo, a mais frágil e desesperada das coisas. Ele refletiu sobre esta ideia cuidadosamente e encontrou uma maneira de consertá-la. Ele nos tornou fortes. Ele irá nos liderar à eternidade.

Oryx, meu irmão, me ama, e este amor é guerra.

XXXVI: Devorador da esperança

XXXVI: Devorador da esperança 10

Versículo 4:6 – Devorador da esperança

Você é Crota, meu filho. Bem-vindo.

Eu batalhei para sair do inferno e criar você. Eu lutei contra minhas irmãs traidoras e contra o corpo enxameado de Akka. Eu cortei o meu caminho de volta à minha própria corte, a Guerra Suprema, que havia sido usurpada. Uma vez eu guerreei contra a Savathûn, e arruinei o tributo dela para que ela nunca mais pudesse me desafiar. Uma vez eu enganei a Xivu Arath, e envenenei o tributo dela para que ela nunca mais pudesse tentar roubar as minhas tábulas. Uma vez eu manipulei as minhas próprias linhagens para que eu fosse o melhor dentre a Colmeia, e assegurasse o meu trono. Então eu encontrei uma mãe para dar a minha cria.

Você era um dentre aquela cria.

Sua vida também será uma batalha. Você terá que conquistar o seu lugar na Guerra Suprema. Eu não lhe darei nada... a não ser isto, sua primeira espada e este nome que preparei para você.

Nós travamos uma guerra contra a falsa esperança, Crota. Nós perseguimos um deus chamado Viajante, um deus mascate que atrai vidas jovens para que construam casas para ele. Essas casas não são seguras, pois elas não podem resistir à minha Colmeia. Essas casas são uma armadilha, pois elas induzem vidas jovens para longe da lâmina e do dente, que são as ferramentas da sobrevivência e os meios para a ascensão.

Somete quando o Viajante for extinguido é que o universo estará livre para se organizar e, através da disputa impiedosa, assumir a sua forma final perfeita. Uma forma que não depende de nada a não ser ela mesma.

Assim, eu lhe nomeio Crota, Devorador da Esperança.

Eu estou sob um juramento, meu filho. Um juramento contra a desgraçada Taox. Isto eu não lhe passarei. Isto é para eu, seu pai, carregar.

Vamos lá conhecer suas tias e tios.

XXXVII: Formas e pontas

XXXVII: Formas e pontas 10

Versículo 4:7 – Formas e pontas

Veja só você!

Você já está crescida, minha filha, e já é uma feiticeira. Eu estive longe por tanto tempo assim? Agora você é Ir Anûk, e Savathûn crepita e enfurece-se com a sua esperteza. Você escreveu onze axiomas descrevendo os lugares ascendentes e o nosso mundo-trono. Você anunciou que irá matar um desses axiomas, como Akka matava a verdade, e ao envolver-se em Akka, você irá tornar-se uma deusa, assim como eu.

Se você tentar, pode ser que eu lhe mate ou pode ser que eu aplauda. Muito bem. Eu lhe trouxe este ácido amargo para a sua celebração.

E você, Ir Halak, você também é uma feiticeira, como geralmente ocorre com gêmeas. Eu estive com Xivu Arath, que reclamou do fato de você ter criado uma música e a cantado no mundo-trono, matando irrevogavelmente todos que a escutaram. Teremos canções em vez de espadas e ferrões?

O que você criou para mim? É um dente com o formato da morte! Eu vou mantê-lo na minha boca. O que você escreveu para mim? É o curso da nave-pensamento Nicha! Eu irei rastreá-la.

Eu fiz você cortando uma larva ao meio. Ela não morria por nada. Cada metade cresceu e tornou-se uma de vocês. Minha espada é chamada Destruidora da Vontade, mas ela nunca destruiu vocês.

XXXVIII: A partição da morte

XXXVIII: A partição da morte 10

Versículo 4:8 – A partição da morte

Certo dia, Oryx decidiu crescer asas novas. Enquanto brigava com seu verme, ele encontrou suas filhas gêmeas morrendo em uma ferida entre lugares.

— O que vocês estão fazendo, minhas filhas? — ele perguntou. Ele temia que Ir Halak e Ir Anûk estivessem tentando ir até a Profundeza, aonde apenas as Tábulas da Ruína permitiam que Oryx fosse.

— Estamos morrendo, pai — elas disseram. — Quantas vezes pudermos.

— Isso é adoravelmente precoce — Oryx sacudiu suas novas asas. — Mas por quê?

— Nós propomos um método através do qual almas Ascendentes podem ser separadas e integradas a uma tanatosfera tautológica e autônoma, a qual tentativamente chamamos de alma suprema. Almas supremas podem ser classificadas em um mundo-trono como um mecanismo aprimorado de resiliência à morte. Como efeito colateral, novos refinamentos da nossa canção da morte poderão ser alcançados, nos deixando mais próximos de um impulso mortal paracausal eficiente.

Oryx brandiu sua espada e disse:

— Falem na língua real, ou irei pendurá-las para Eir comer vocês.

— Se pudermos separar nossas mortes de nós mesmas e escondê-las, será difícil sermos mortas.

Oryx foi até seu filho, Crota.

— Vá ficar de olho nas suas irmãs — ele disse —, você pode aprender astúcia com elas.

No entanto, enquanto Oryx viajava para observar a Profundeza destruir um antigo mundo-fortaleza, Crota conspirava com suas irmãs para aprender os segredos delas.

— Eu também irei experimentar com uma ferida — ele disse.

Com sua espada, Crota abriu uma nova ferida para um novo espaço. Nesse lugar, ele acreditava que pudesse obter um poder secreto.

Dessa ferida, saíram máquinas chamadas Vex. Elas invadiram o mundo-trono de Oryx.

XXXIX: Abra seus olhos e entre

XXXIX: Abra seus olhos e entre 10

Versículo 4:9 – Abra seus olhos e entre

Os Vex tiniam, construindo grandes problemas. No início, suas construções eram dementes, pois eles não compendiam a lógica da espada que definia todas as leis do mundo-trono de Oryx. A geometria os deixava perplexos.

— Vou cortá-los pela metade — Crota disse. Mas logo então, os rituais de pensamentos melhores dos Vex manifestaram uma Mente chamada Quria, Transformação da Lâmina. Quria deduziu a lógica da espada.

— Eu tenho que matar tudo — Quria determinou — Então, terei grande poder.

O portal de Crota começou a emitir guerreiros Vex, enormes e brônzeos. Ele saltou para frete para lutar contra eles, mas eles se teletransportaram para longe. Após fugirem de Crota, eles mataram dois mil dos Acólitos de Oryx e dez mil dos seus Escravos. Pouco depois, eles haviam se estabelecido como um poder nesse mundo através da chacina.

— Aproximem-se, irmãs Feiticeiras, — Ir Halak chamou — precisamos de vocês. Ir Anûk puxou uma estrela-espada do céu. Juntas, as Feiticeiras a carregaram com poder e criaram um totem aniquilador, o qual usaram para esmagar os Vex.

— Feche a ferida, irmão Crota — Anûk ordenou. — Nós encontraremos uma maneira inteligente de destruí-los, mas só após eles pararem de construir problemas para nós.

Porém, Quria havia se projetado para o outro lado do portal, e construído um grampo para manter o caminho aberto. O objetivo de Quria era tirar proveito da física paracausal do trono de Oryx para tornar-se divina. Ela organizou uma série de invasões teste.

Durante cem anos do tempo local, as irmãs lutaram contra os Vex. Quando os Vex iam ao mundo da espada, eles eram inevitavelmente aniquilados, mas quando a Colmeia ia até o mundo dos Vex, eles perdiam muito de suas forças para vencer.

— Nosso pai vai devorar as nossas almas — Halak suspirou.

Quria capturou algumas larvas de vermes e começou a realizar experimentos com elas. Não muito depois, Quria, Transformação da Lâmina, manifestou táticas religiosas. Direcionando veneração aos vermes, Quria aprendeu que podia alterar a realidade com efeitos ontopatogênicos moderados. Sendo uma máquina eficiente, Quria fabricou um sacerdócio e ordenou que todas as submentes acreditassem em veneração. Então ela saiu abduzindo e matando organismos perigosos para que pudesse se reiniciar como divindade da Colmeia. Por alguma razão Vex, Quria nunca tentou introduzir larvas de vermes em seu fluido mental.

Savathûn estava rindo, pois ela havia iludido Crota a cortar aquele lugar.

Isto chamou a atenção de nosso deus Verme.

— ORYX — Eir chamou — PONHA ORDEM NA SUA CASA.

XL: Um imperador para todos os resultados

XL: Um imperador para todos os resultados 10

Versículo 4:10 – Um imperador para todos os resultados

Oryx correu para casa e leu as Tábulas da Ruína. Ele colocou alguns Vex em feridas, para serem possuídos pelo poder da Profundeza. Assim, ele colocou os Vex contra si próprios. Quria manifestou uma variedade de táticas, mas nenhuma delas foi adaptativa. Oryx esmagou todos os Vex em seu trono.

Oryx achou que devesse estudar geometria, como os Vex. Era o mapa das formas perfeitas. No entanto, antes ele tinha que punir a imperfeição.

— Meu filho — ele disse —, este é o seu castigo. Venha para casa glorioso, ou morra esquecido! — ele pegou Crota pelas pernas e o jogou dentro da rede de portais Vex.

Crota batalhou através da história, tornando-se um demônio lendário. Nos seus primeiros séculos, ele muitas vezes poupava algumas vítimas para receber juramentos e protestos contra o seu pai. Mais tarde, ele veio a compreender Oryx, e criou templos e monumentos aonde quer que fosse.

Enquanto isso, Oryx preocupava-se com os Vex.

— Eu encontrei um adversário à altura — ele disse. — Eles querem existir para sempre, assim como eu, mas eu não os compreendo.

Com isso, seu verme começou a mastigá-lo, pois ele era compelido a compreender.

Ele chamou Savathûn para encontrar-se com ele no mundo material. Ela lhe disse que os Vex trabalhavam incansavelmente para compreender tudo, para que eles pudessem construir uma condição vitoriosa para todos os estados possíveis do universo.

— Então eu preciso ser um rei melhor — Oryx disse. — Se eles querem construir um imperador para todos os resultados, então eu serei o rei de um só. Eu seguirei a Profundeza aonde quer que ela vá, e documentarei o seu poder. Criaremos um catálogo da tumba de mundos, o qual será o nosso mapa para a vitória.

Oryx sabia que todas as vidas podiam ser descritas como autômatos celulares, a não ser aquelas vidas que compreendiam a Profundeza ou o Céu, e assim escapavam da causalidade.

Por amor ao seu irmão, que era equivalente ao seu desejo de matá-lo, Savathûn vazou um segredo para Xivu Arath:

— Escute, Xivu, o trono do Oryx está comprometido. Você pode cortar seu caminho a dentro a partir daqui.

Xivu Arath usou esta informação para planejar uma emboscada, mas Oryx era muito sagaz. O Rei dos Possuídos disse o seguinte para a sua Corte, a Guerra Suprema:

— Meu mundo-trono está vulnerável. Eu irei movê-lo.

— Para onde? — perguntou Kagoor, Rompedora de Mundos.

— Para um poderoso encouraçado — disse Oryx. — Vou manter meu glorioso cosmos mental dentro de uma nave de guerra titânica.

XLI: Encouraçado

XLI: Encouraçado 10

Versículo 4:11 – Encouraçado

Para criar esta nave, Oryx entalhou um pedaço de Akka, que estava morto, mas longe de não existir. Ele roubou o martelo de Xivu Arath e o bisturi de Savathûn, e blindou sua nave com uma couraça funesta.

Quando Oryx havia construído seu Encouraçado, ele virou seu mundo-trono pelo avesso, para que tal mundo sangrasse o espaço material do Encouraçado. Eles eram contérminos e aliados, sua nave e seu pecado. O Encouraçado estava dentro do trono de Oryx, mas o trono de Oryx era o Encouraçado. Aiá!

Isso exigiu um versículo das Tábulas da Ruína. A Corte inteira trabalhou junta para virar o trono de Oryx do avesso. Aquele foi um dia de violência alegre, e todas as ninhadas de Oryx marcam tal data como o Dia da Eversão, que é celebrado virando coisas pelo avesso.

Oryx disse:

Saiam pelo universo, minha corte.
Reúnam tributos para mim. Enviem de volta para a minha nave.

Quando eu lhes chamar, tragam tal tributo até a minha corte.
Eu vou nos preparar para longas viagens — [Eu sou Savathûn, insidiosa]
Para a guerra — [Eu grafito este comunicado para você]
Para a Profundeza — [Estes livros estão cheios de mentiras]

Agora o trono de Oryx estava protegido contra incursões, pois movia-se tão agilmente.
Oryx atacou a Harmoniosa Flotilha Invencível, que protegia a nave-pensamento Nicha. Quando a Flotilha cercou o Encouraçado, Oryx cravou sua espada no casco e utilizou o poder da Profundeza (e o sistema inteligente que suas filhas construíram) para expelir seu mundo-trono para a mera realidade.

Através de ira e confiança ele preencheu o espaço com um ovo do seu trono. Ele inchou como uma estrela fantasma e esmagou a Harmoniosa Flotilha Invencível. O Oryx quebrou a última palavra do nome deles.

Na nave-pensamento Nicha, Oryx esperava encontrar a localização do Mastro da Dádiva, que havia sido deixado para trás pelo Viajante. Oryx queria comê-lo.

No entanto, a nave-pensamento era uma armadilha. Nela estava Quria, Transformação da Lâmina.

XLII: <>|<>|<>

XLII: <>|<>|<> 10

Versículo 5:0 – <>|<>|<>

<interditar>|<simular>|<venerar>

Eu irei lhe matar. Irei salpicar minha carne com seus pequenos pensamentos salgados. Irei cozinhar a carne no seu casto quebrado e derretido.

<insinuar>|<subverter>|<replicar>

Esta nave é meu trono. Você quer tomá-lo de mim. Quer preenchê-lo com a sua própria cria e usá-lo para seus propósitos abstratos. Porém, eu lhe desafio.

<observar>!<imitar>!<usurpar>

Você nunca será o que eu sou. Simule a mim, desgraçada. Calcule as permutações da minha divindade. Compute a morte na forma do meu trono. Projete a minha sombra nas lápides de dez mil mundos cemitérios! Nunca será o bastante. Eu carrego as Tábulas da Ruína. Eu falo com a Profundeza. Nem com uma galáxia inteira de matéria pensante você poderia me envolver. Contemple!

<desconhecido>|<enigma>|<déficit>

<abortar>!<cessar>!<abortar>

XLIII: Fim da linha de tempo falha

XLIII: Fim da linha de tempo falha 10

Versículo 5:1 – Fim da linha de tempo falha

A esse ponto, Quria sabe que não pode vencer.

Há algo de patológico sobre o mundo dentro da nave de Oryx. Ela resiste a analises com um rancor ardente e morto. E o próprio Oryx é irredutível. Ele se recusa a obedecer às simulações de Quria; ele vaga causando destruição e semeando o caos; ele pega submentes e as compromete com algum tipo de arma ontológica. Sistemas paracausais. Bastante problemático.

Quria está testando as táticas religiosas que ela evoluiu na variedade da Colmeia, mas mesmo nessas condições, Oryx é forte, muito forte. Quria não poderá proteger seus portais por muito mais tempo.

O mais perto que Quria chegou de uma simulação do Oryx é meio que um palpite. O tal está incorreto e Quria sabe disso. A simulação é o Oryx menos o organismo simbionte, menos as asas e transformações, menos a arma, menos o poder. Não serve pra nada.

Quria manifesta aquela simulação mesmo assim. Só pra ver o que acontece.

O Rei dos Possuídos marcha em direção ao casco-hidra de Quria, armado com espada e magia, envolto em tecidos antigos, e o universo pranteia em terror em volta dele. Os modelos físicos e mundos de brinquedo de Quria sufocam e quebram.

Quria observa, alerta e atenta, um único quark ser partido na ponta da espada de Oryx.

De dentro do casco-hidra, o pequeno "não-Oryx" de Quria começa a falar.
— O que é você? — ele pergunta, manifestando terror e admiração.

Os olhos de Oryx queimam com uma curiosidade que é totalmente isomórfica com o ódio, com uma fome voraz.

— Aurash, — ele diz em seu idioma da Colmeia — você me fez como eu era. Você fez uma pequena Aurash. Rá!

Quria atualiza o nome da simulação. Aurash está curiosa:

— Você sou eu? Você é o que eu me torno?

Oryx ajoelha-se. Sua lâmina está em seu ombro esquerdo. Quria está atirando todas as armas disponíveis contra ele, mas suas guardas não se quebram. Ele olha nos sensores de Quria através do fogo batente e diz:

— Criança, eu tenho tudo aquilo que você queria. Eu sou imortal. Eu conheço os grandes segredos do universo. Eu explorei as fronteiras da Treva e persegui o deus mentiroso ao longo de braços galácticos com uma matilha de luas uivantes. No meu punho, eu carrego o poder secreto que irá governar a eternidade. No meu verme, eu carrego o tributo da minha Corte e das minhas crianças: o Devorador da Esperança, a Tecelã e a Desfiadora; e com esse tributo eu esmago meus inimigos. Eu sou Oryx, o Rei dos Possuídos. Eu sou todo poderoso.

Quria experimenta com as informações de Taox recuperadas do portal da Ecúmena. Há nomes úteis. Ela alimenta a simulação com estas informações.

— E as suas irmãs? — Aurash pergunta ao seu próprio futuro. — Sathona? Xi Ro? Elas estão com você?

As presas do Rei dos Possuídos brilham. Aquele som pode ser uma risada, ou um sibilo.

Quria desliga todas as suas armas e direciona todos os seus recursos reservas ao envio de telemetria para os Vex superiores. Haverão pontos no espaço e no tempo onde estes dados serão vitais. Haverão grandes projetos empreendidos ao estudo deste poder ontológico, este espaço-trono.

— Onde estão minhas irmãs? — Aurash grita. — O que você fez com o meu povo? O que você fez?

Mas o punho de Oryx está cheio de fogo negro, e a próxima coisa que Quria vê é uma luz brilhante como estrelas.

XLIV: Prova concreta e eterna

XLIV: Prova concreta e eterna 10

Versículo 5:2 – Prova concreta e eterna

— Eu tenho um presente para você — Oryx diz.

Savathûn, Bruxa-Rainha, olha para ele com uma cautela seca.

— É a lógica da espada que eu preciso para entrar na Profundeza, e tomar o seu poder para mim?

Seus ecos movem-se entre as luas bélicas, andando juntos sobre o casco de uma nave de guerra com dois mil anos de idade. A frota de Savathûn se reuniu aqui, preparando-se para um assalto ao Mastro da Dádiva. A Profundeza está a caminho de lá, seguindo a trilha da sua presa, e a Colmeia será sua vanguarda.

— É um Vex que eu capturei. Quria, Transformação da Lâmina. Ela tentou perfurar o meu trono. Achei que gostaria de estudá-la. — Oryx pausa, digerindo. Através do vínculo da linhagem, ele pode sentir Crota matando a mundos e mundos de distância, e o gosto é de gordura doce.

Quria contém uma tentativa Vex de simular a mim. Ela pode gerar outras. Talvez você, ou Xivu Arath. Eu poupei um pouco da vontade dela, então ela pode lhe surpreender.

— Suponho que ela vá explodir e me matar — Savathûn resmunga. — Ou permitir que as máquinas entrem no meu trono, onde elas transformarão tudo em relógios e vidro.

— Se ela lhe matar, então você merece morrer — Oryx diz com um entusiasmo quieto, pois é bom dizer a verdade.

— Sabe, eu ainda não tenho uma prova concreta — Savathûn afaga o vácuo com uma longa garra e o espaço-tempo geme sob o toque dela. — Essa coisa na qual acreditamos, que estamos libertando o universo ao devorá-lo, que estamos cortando fora a podridão, que estamos a caminho de nos juntarmos à forma final. Eu ainda não encontrei uma prova concreta e eterna. Pode ser que estejamos errados.

Oryx olha para ela e, por um momento, apenas um momento, ele está nostálgico e sentimental. Ele pensa: 'Imagine os anos atrás de nós, as coisas que fizemos. E mesmo assim, a velhice não é sentida como uma cicatriz, não é mesmo? Ela não me deixou aborrecido. Eu me sinto vivo, vivo com você. Cada vez que eu piso novamente neste mundo vindo do meu trono, eu me sinto como se tivesse dois anos de idade de novo, no fundo do universo, olhando para cima.' Mas ele diz:

— Irmã, somos nós. Nós somos a prova, nós, a Colmeia. Se nós vivermos para sempre, nós provamos, e se algo mais impiedoso nos conquistar, então a prova estará selada.

Ela olha de volta para ele com olhos que parecem agulhas ardentes.

— Eu gosto disso — ela diz. — É elegante.

Porém, é claro que ela já tinha pensado nisso antes.

XLV: Eu trancaria todos em celas

XLV: Eu trancaria todos em celas 10

Versículo 5:3 – Eu trancaria todos em celas

Presa e sacrifício.
Proferido por Xivu Arath.
Deusa da Guerra.

HARMONIA. Quando o Viajante passou pela Harmonia, ele mentiu para as órbitas de dez mundos. Agora, eles orbitam o buraco negro. O Viajante mentiu para o disco de acreção, para que ele provesse luz calorosa a esses mundos.

O MASTRO DA DÁDIVA. Quando o Viajante deixou Harmonia, ele fez um monumento a partir do jato polar do buraco negro. No jato, há um mastro oco que canta em resplendor. Este é o Mastro da Dádiva, e nós o devoraremos. Comeremos o Céu presente nele, e o fraturaremos como um osso.

O FERRÃO DE HARMONIA. Os Harmônicos criaram uma arma a partir de sua estrela morta. Eles podem estimular o disco de acreção para atirar jatos de plasma relativísticos. Nós iremos tomar o Ferrão. Iremos usá-lo para queimar os mundos deles. Eu concederei um templo de tributos ao primeiro Ascendente que matar um mundo!

ORYX. Eu terei o Mastro da Dádiva para devorar! Serei a primeira! Eu sou Xivu Arath, e toda guerra é meu templo. Cuidado com as filhas de Oryx, pois elas fazem e desfazem com facilidade.

SAVATHÛN. A Irmã Enganadora estará distraída por mistérios e pela canção do buraco negro. Tratem as ninhadas dela com desprezo.

O VIAJANTE. Nós o perseguimos, e o devoraremos. A Profundeza governará o cosmos.

OS DRAGÕES. Nossos deuses devem ser só nossos. A liberdade presunçosa deles é um insulto para mim. Eu trancaria todos em celas. Tragam-nos para mim!

XLVI: O Mastro da D&#225;diva

XLVI: O Mastro da Dádiva 10

Versículo 5:4 – O Mastro da Dádiva

Mastro da Dádiva!

Ele eleva-se sobre este sistema estelar como um monumento à traição. Ele emite feixes de luz prateada, e canta uma canção de ninar composta de mentiras calmantes.

Sob sua luz vivem os Harmônicos, e agora eles são nossas presas.

Agora chega Xivu Arath, comandando sua armada. Ela luta contra Harmonia durante cinquenta anos com estratégias e disciplina. Porém, os Harmônicos buscam ajuda de desejos-dragões, e seus bispos desejosos lutam contra Xivu no plano ascendente.

Xivu se encontra em um empasse.

Depois chega Savathûn, com seu coro e seus celebrantes ao seu lado. Com artimanha, eles entram em Ana-Harmonia disfarçados, para que possam realizar vivissecções nesses dragões. O nosso deus Verme ri, e ri.

Durante cem anos, Savathûn mantém conventículos secretos no meio dos Harmônicos.

O primeiro deles foi Oryx, cuja ninhada cresceu em lugares secretos nos detritos do disco de acreção. O Primeiro Navegador envia rochas e cometas a colidirem com os mundos de Harmonia, para que a frota deles entrem em desordem. Ele envia semeadores para infiltrarem os mundos de Harmonia com suas ninhadas.

Aqui, no meio do quinto livro, a Colmeia tornou-se tão poderosa que a aniquilação de todas as vidas falsas se tornou rotineira.

Xivu Arath mata os bispos desejosos, Savathûn alcança algum propósito secreto e a Corte de Oryx destroi o Mastro da Dádiva. O povo de Harmonia pranteia em terror, e eles se jogam aos lagos prateados de Ana-Harmonia para se afogarem.

— Venham — Oryx diz —, comam o Mastro da Dádiva, pois eu sou um deus generoso. De seus pedaços, eu só exijo dois em cada cinco.

O Mastro é cheio da Luz do Viajante, é cheio do sabor da medula do Céu. Todos que o comem são preenchidos pela certeza extática de que eles servem um grande e necessário propósito.

Então, Savathûn diz:
— Irmãos, nós precisamos nos separar por um tempo, para que possamos crescer diferentes. — Ela voa suas luas bélicas para dentro do buraco negro. Seu trono se torna distante.

Xivu Arath diz:
— Rei Oryx, você ocupa muito espaço. Seu poder restringe muitas opções. Eu preciso me afastar de você. — Ela voa suas luas bélicas noite adentro. Seu trono é fechado.

Então, Oryx ficou sozinho. Ele passou um tempo pensando, e estes pensamentos estão registrados aqui.

XLVII: Abstin&#234;ncia do apocalipse

XLVII: Abstinência do apocalipse 15

Versículo 5:5 – Abstinência do apocalipse

Esta é a nossa mensagem às coisas que mataremos.

Uma espécie que acredita que uma boa existência pode ser inventada através de jogos de civilização e leis de conduta, está condenada por essa crença. Eles morrerão em terror. Os impiedosos e sem lei os puxarão para a morte. O universo apagará seus monumentos.

No entanto, aqueles que buscarem compreender e venerar a única e verdadeira lei ganharão, por causa dessa decisão, o controle sobre os seus futuros. Eles ganharão a esperança da ascendência e, através da impiedade, ajudarão o universo a chegar à sua forma perfeita.

Somente erradicando de nós mesmos toda a clemência pelos fracos é que podemos emular e tornarmo-nos algo que dure para sempre. Isso é inevitável. O universo só oferece uma escolha: impiedade ou extinção.

Nós nos colocamos contra a mentira fatal de que um mundo construído sobre leis de conduta possa resistir às ações daqueles verdadeiramente livres. Esta é a escravidão do Viajante, o crime da criação, no qual o trabalho é desperdiçado na construção de formas falsas.

Se você escolher lutar contra nós, lute com tudo o que possuir, com todas as suas leis e seus jogos. Provaremos o nosso argumento.

XLVIII: ai&#225;, ai&#225;, ai&#225;, ai&#225;, ai&#225;

XLVIII: aiá, aiá, aiá, aiá, aiá 15

Versículo 5:6 – aiá, aiá, aiá, aiá, aiá

Está tudo bem. Aiá: o que está em guerra, está saudável; o que está em paz, está doente.

Meu filho, Crota, me nutre com tributos muito ricos. Minhas linhagens são fortes, meu verme está grande e saciado, e com essa estabilidade eu posso passar meu tempo estudando e me comunicando com a Profundeza. Conforme eu aprendo mais segredos, meu poder cresce; conforme meu poder cresce, eu o uso para aprender mais segredos. Aiá: que continue assim, pois é preciso.

Eu me pergunto se minhas irmãs também possuem seus próprios segredos. Se meu poder excede o delas, pode ser que eu as mate permanentemente e integre os tronos delas. Mas eu acho que elas possuem forças que escondem de mim, desenvolvidas em tempos de separação. Aiá: o único relacionamento significativo é a tentativa de destruição.

Savathûn questiona se eu sou tanto um escravo da Profundeza quanto meus Possuídos. Ela pergunta que preço eu pago pelo meu poder. Eu não sou Possuído. A Colmeia não é a Profundeza. A Profundeza não quer que tudo seja igual: ela quer vida, vida forte, vida que vive livre sem a necessidade de um habitat de jogos para insulá-la da realidade. Quando eu produzo meus possuídos, eu os torno mais próximos da perfeição. Eu curo suas feridas e aprimoro suas forças. Isso é inerentemente bom. Aiá: a única coisa certa é a existência, a única errada é a inexistência.

Eu sou Oryx, o Primeiro Navegador, o Rei dos Possuídos. Aiá: que eu seja o que sou, pois ser qualquer outra coisa seria fatal.

XLIX: A eternidade e uma l&#226;mina

XLIX: A eternidade e uma lâmina 15

Versículo 5:7 – A eternidade e uma lâmina

Eu considerei voltar ao Fundamento e descobrir o que aconteceu com a onda-deus, com os Monólitos de Tungstênio e com os continentes que eram tudo o que restava do lar original do meu povo.

Mas eu sei o que aconteceu. Eu aconteci. Eu sou o herdeiro do Fundamento, o descendente imortal daqueles krills que viviam dez anos. Eu fiz uma pergunta: como podemos viver neste universo por tempo o bastante para compreendê-lo?

E eu aprendi a resposta, que está escrita aqui neste livro. Aprendi que eu tinha que me tornar o mais impiedoso de todos.

Eu não sei de onde veio a Treva – ou Profundeza, como quiser chamar. Nem de onde veio o Viajante que eu caço. Mas eu vou descobrir. Vou descobrir.

Esta é a minha herança, meu patrimônio: a eternidade, a infinidade; o universo inteiro sob a minha espada. Isso é o que eu governo: a eternidade e uma lâmina.

L: Comida de verme

L: Comida de verme 15

Versículo 5:8 — Comida de verme

O que acontecerá se eu morrer?

Faz sentido considerar isso, pois sou um grande aliado da morte. Minhas filhas estudam o sofisma da morte, meu filho pratica a habitação da morte, e meu grande trabalho é, no fim das contas, me tornar sinônimo da morte – morrer e viver com essa morte, pois se o universo se tornar nada, então eu serei parte daquele nada. É muito melhor termos um universo feroz com um final feliz, do que um universo feliz sem esperança.

Eu morri muitas vezes, mas estas mortes foram apenas temporárias.

Se meus ecos forem mortos, e eu for morto no mundo material, então eu serei enviado de volta ao meu trono, o Encouraçado. Se a minha Corte e o meu trono puderem ser vencidos, se eu for confrontado em meu trono, se eu for derrotado lá, então eu morrerei. Meu trabalho estará acabado.

Este é o pacto ao qual estou sujeito, em particular pelos meus estudos das Tábulas da Ruína e pelo meu uso do poder da Profundeza. Quando eu invoco tal poder, eu me coloco como os valores de uma aposta; eu aposto com a minha alma. Ao fazer isso, estou dizendo: escutem, meus deuses, eu sou a coisa mais poderosa que existe, e eu provo desse modo.

Ultimamente, tenho percebido o quanto eu dependo de Crota e das minhas filhas e até mesmo da minha Corte. Se eu os perdesse, minhas despesas excederiam minhas ingestões e meu tributo não seria o suficiente para alimentar o meu verme. Mas isso é adequado, pois se eu os perdesse, seria porque eles não foram fortes o bastante. E então eu seria um pai ruim, um rei ruim. Eu devo testá-los e lutar com eles, para mantê-los fortes. Este é o meu ônus.

Eu continuarei para sempre. Compreenderei tudo. Só existe um caminho: aquele que você constrói. Mas você pode construir mais de um caminho.

Quebre as barras da sua cela. Construa uma nova forma, construa a forma a partir do caminho dela, encontre as barras da sua cela, quebre as barras, encontre uma forma, construa a forma a partir do caminho dela, coma a luz, coma o caminho.

Se eu falhar, que eu vire comida de verme.